O artista deve ir além dos seus limites físicos por meio de alongamentos e fortalecimentos, atenuando marcas de sua constituição social, para que na criação, não seja refém delas ou escolha realçá-las de modo consciente.
A prática nos leva a assimilação e revela nossos vícios e padrões, nossos lugares de conforto.
A percepção de cada músculo, cada tensão, cada apoio, permite que possamos reconhecer nosso corpo, para então poder transformá-lo. Ao participar diversas vezes do mesmo experimento, vamos identificando novas sensibilidades e percepções, e, por ter um corpo novo a cada segundo, afetados por cada parte do processo, a experiência é sempre outra.
A pesquisa corporal não tem parâmetros como erro ou acerto, mas a percepção de si mesmo.
Tentamos atenuar nossos vícios corporais e mentais para abrir espaço para a delicadeza e a precisão, sem ruídos. Alcançar a disponibilidade, a folha em branco necessária para um espaço de criação.
Não chamamos nossas experiências de “exercícios”, pois este termo acaba por implicar a ideia de que todos devem chegar a um mesmo resultado. Cada corpo funciona de um modo diferente, o ideal é que nessas práticas possamos de fato nos pesquisar sem a pretensão de alcançar um objetivo final.
É necessário exercitar a mente para disponibilizar o corpo; e viceversa. Ambos não se sustentam sem a respiração, que não ocorre de maneira plena sem a percepção de nossos vícios. Mente e corpo são uma única coisa.
Acordar o corpo, e cada parte que o compõe detalhadamente, possibilita reorganizar e sintonizar a respiração, sem pressa, observando limites e os ultrapassando. As conquistas conscientes permanecem e continuam se revigorando.
NAC 2016