AlmaNAC: o blog do Núcleo de Artes Cênicas

teatro

ENTRE

Ora, se o ego vai à frente, eu não dou espaço para que o entre nos aconteça. Com o ego tudo já está pressuposto, não dou espaço para o novo, para a experiência. 

Quando uma obra é constituída de forma que permita que o imaginário do espectador complete o ato, aí se tem o ENTRE.

O entre revela algo guardado lá dentro. Um misto de embriaguez e lucidez, de Dionísio e Apolo. Entendeu? Não. Então, está no caminho. Não é pra pensar, faça. Lembra do caminho do meio?

Se o Estado Poético é um espaço de “entres”, cada artista individualmente é que pode estabelecer os parâmetros dos seus “entres” para que alguma poética própria se edifique.

A busca pela ausência me parece também um espaço do entre. Talvez, nesse caso, entre mim e o mundo com o qual me conecto, entre o controle racional e a liberdade do sensível, entre aquilo que já sei de mim e as surpresas todas que posso ter comigo mesmo.

Olhe no meu olho, troque comigo, o mais importante está aqui, entre, o que acontece entre a gente. O racional pode nos enrijecer e nos privar da capacidade do sentir, de nos atentar para o que pode acontecer ali, naquele momento ENTRE.

NAC 2014

CONSCIÊNCIA

Esta saga-procura não é feita apenas de leveza – para chegar no fundo da caverna a trilha é longa e obscura. Não existe google maps, GPS, bússola. Nossa SENSIBILIDADE é conduzida por um farol interior.  E neste perigoso mergulho sobre si serão encontrados diversos dragões.

A referência verdadeira é algo “encaixado” em nós.

O aroma que é presente por meio da ausência. A essência se pulveriza no ar silenciosa, discreta. E refina-se a dosagem conforme a sensibilidade do artista.

Podemos ter todos os recursos, mas precisamos ter um instinto eficaz. Sair do ambiente predestinado para romper estilos, padrões, modelos e antimodelos.

Cada ator/atriz é responsável por se perceber. Responsável por construir um estado de atenção, no qual seja possível avaliar, em sua subjetividade, cada descoberta, dificuldade, trava, tensão. E assim, colocar-se por conta própria numa situação permanente de pesquisa.

No estado de pesquisa, é fundamental a percepção das mudanças que ocorrem no corpo ou, pelo contrário, das dificuldades em aproximar o corpo cotidiano (embrutecido pela história e pelo trabalho) de um corpo-corpo, corpo-natureza, corpo-orgânico, corpo-animal, corpo-sensível, corpo-afetivo, corpo-instinto. O que está em jogo na formação atoral é o processo individual de RECONHECIMENTO de si, para que a partir de então ocorra o despertar de uma consciência pessoal e estética.

Fronteira  do corpo, fronteira do tempo, fronteira do outro. Algo dentro de mim ainda é do tempo que o chão era um só. Hoje a gente diz: de que chão você é? E isso te define. Por que olhar com os olhos carregados? Eu queria que vocês olhassem além dessa pele que se apresenta, queria arrancar essa pele para que vocês pudessem ver carne, órgãos, ossos. Eu não queria simplesmente olhar; mas, olhar além de, através de. Transolhar…

Por que nos apartar de nós mesmos por tanto tempo? Por que esquecemos de simplesmente ser? Ponto, acabou. Ser aquele momento presente, aquele jogo no presente. Ser, estar naquele tempo e espaço.

A busca pela consciência é eterna. Se colocar, se perceber. Reagir, Estimular. Diagnosticar nossas travas e vícios do cotidiano. “Ser, estar, parecer, permanecer…” Verbos de ligação são a verdadeira consciência.

Estou sendo racional? Talvez porque vejo que essa palavra tem tanto peso que se transforma em uma mala pesada para ser carregada.

NAC 2014