Respirar, caminhar, olhar, perceber e refletir são verbos fundamentais para um princípio, para um ser e para um existir.
Na ordem cotidiana, em que ter opinião é a regra, a fruição é esforço – esforço contrário, amiga do silêncio, e ambos são amigos do tempo.
A percepção do transitório que há na paisagem fixa permite que notemos nossa própria mutação.
Percebo o quanto é importante esvaziar-se numa primeira instância para encontrar assim novos estímulos e impulsos – que encontrarão, por sua vez, estímulos outros e impulsos outros e manterão a cena viva.
São infindos os mecanismos que a mente inquieta cria para proteger-se e evitar atritos que a desloquem da zona de conforto, de seu ilusório reinado sobre o corpo.
Nós precisamos de silêncio assim como precisamos de ar. Se nossas mentes estão saturadas de palavras e pensamentos, não há espaço para nós.
Há um abismo entre o que sei, o que quero dizer e o que faço.
Quando sabemos muito o que dizer, é melhor duvidar. Nada é definitivo, nem estas palavras.
NAC 2017