Se eu compreender que também sou um outro, tenho todas as possibilidades dentro de mim? Se eu entender que já sou um todo e que a busca é em direção a mim, vou ao encontro do outro?
Sou outro quando me ultrapasso, quando a partir de mim, e ainda em mim, desloco-me para o outro. Se eu buscar o outro fora de mim, perder-me-ei dele e de mim, pois não consigo encontrá-lo se me despeço de mim.
A disponibilidade entre duas pessoas é o que permite um ponto de intersecção entre elas, que ocorre quando há o desejo e a necessidade de um se colocar perante o outro, de ouvir, e de se investigar a partir do outro.
Nos debruçamos sobre nós mesmos, buscando dar significado ao que surgiu de um coração que não é o meu, mas que é de outro de mim.
Alteridade talvez seja algo inerente ao ser humano, porém complexa de se exercitar socialmente dentro da lógica do capital, na qual a ideia do eu prevalece à ideia do coletivo.
O ofício do ator exige um exercício cotidiano de alteridade.
É prazeroso o encontro do ser consigo mesmo e, nessa busca, o outro tem um papel fundamental.
NAC 2017