AlmaNAC: o blog do Núcleo de Artes Cênicas

TRANSFORMAÇÃO

Ser criança e fazer tudo como se fosse a primeira vez. Experimentar, descobrir e transformar. Ser inteiro, deixar de lado o que não nos serve mais. Simbolicamente, morrer. É preciso morrer para que tudo o que somos (ou achamos ser) possa nascer de novo, permitir que algo nos passe numa bendita metamorfose.

É chegada a hora de sermos pontes, pássaros, de mergulharmos nos céus, de sermos arado que rasga a terra, hora de revelarmos as antigas marcas deixadas pelo nosso existir e de permitirmos que novas e mais profundas nos penetrem e atravessem a nossa capa de mundo pré­-definida.

Rótulos que colocamos em nós não importam. É uma casca confortável de estar, mas agora ficou desconfortável permanecer nela. Não somos nossas escolas, nossos cursos, trabalhos, não somos nada disso. Somos um mundo vasto de conexões e mistérios. O processo não termina quando saímos da caverna, ele se intensifica.

Há um medo de não ser tão intenso ou de não vivenciar a transformação, de não se disponibilizar. Mas na contramão do medo, há um mergulho sincero, algo que preenche, um estado de plenitude.

Estamos dispostos a morrer o antigo “Eu” para renascermos amorfos e inclassificáveis? O nosso modo de existência se reflete em nossa Arte. Nada é poupado. Tudo se afeta. E se tudo se afeta, tudo está em constante transformação.

NAC 2016