AlmaNAC: o blog do Núcleo de Artes Cênicas

PERCEPÇÃO

As peculiaridades de cada corpo imprimem leituras; cada corpo revela uma história, cada um de nós é uma personagem. Daí a importância de apagarmos as marcas de nossos corpos, deixarmos tudo isso mais atenuado. As marcas poderão ser escolhas conscientes na construção de personagens.

Os vários “eus” que moram dentro de cada um de nós se revelam em diferentes momentos.

Ao tentarmos negar as nossas contradições em busca de uma verdade, não percebemos o quanto atribuímos às coisas um significado muito menor do que elas têm.

O mundo é o que vemos e o que não vemos. Afirmar que o mundo é apenas o que vemos, limita o mundo ao nosso olhar.

Sentir meu corpo como parte de mim, como eu, e portanto merecedor de cuidado, e também como instrumento, no sentido mais bonito e menos utilitário da palavra.

Desconforto pelo novo, pela exposição, pela falta de controle. Mas esse é o caminho, caso queira viver a experiência. É importante se observar e questionar afirmações categóricas, inclusive sobre si mesmo. Acolher e incluir, não excluir.

Por não se saber universo, o ser humano tem estado agoniado em sua finitude. Por se saber universo, o ser humano tem estado perdido em sua infinitude. A percepção da não permanência neste mundo faz com que em nome da vida acabe­-se com ela. Quão grande é a consciência de existência?

Nossos discursos são limitados por nossas fraquezas, nossos medos, nossas ignorâncias, nossas opiniões, ou seja, por tudo que é sempre “nosso”. É a partir dos outros que nos percebemos e nos reconstruímos a todo instante.

Um novo olhar possibilita que as imagens nos alcancem, ao invés de fixar e cegamente tentarmos capturá­-las. Elas se tornam multilaterais, tridimensionais, com alto poder de alcance em camadas, texturas, cores e tons. Dá um novo interesse ao caminhar, antes uma simples repetição.

NAC 2016