Ora, se o ego vai à frente, eu não dou espaço para que o entre nos aconteça. Com o ego tudo já está pressuposto, não dou espaço para o novo, para a experiência.
Quando uma obra é constituída de forma que permita que o imaginário do espectador complete o ato, aí se tem o ENTRE.
O entre revela algo guardado lá dentro. Um misto de embriaguez e lucidez, de Dionísio e Apolo. Entendeu? Não. Então, está no caminho. Não é pra pensar, faça. Lembra do caminho do meio?
Se o Estado Poético é um espaço de “entres”, cada artista individualmente é que pode estabelecer os parâmetros dos seus “entres” para que alguma poética própria se edifique.
A busca pela ausência me parece também um espaço do entre. Talvez, nesse caso, entre mim e o mundo com o qual me conecto, entre o controle racional e a liberdade do sensível, entre aquilo que já sei de mim e as surpresas todas que posso ter comigo mesmo.
Olhe no meu olho, troque comigo, o mais importante está aqui, entre, o que acontece entre a gente. O racional pode nos enrijecer e nos privar da capacidade do sentir, de nos atentar para o que pode acontecer ali, naquele momento ENTRE.
NAC 2014