AlmaNAC: o blog do Núcleo de Artes Cênicas

ARTISTA

Que tipo de artista somos? O que buscamos enquanto artistas? Qual é nosso projeto poético?

Cada indivíduo é singular, no seu jeito de caminhar, de estar, de apreender e, até mesmo, de se entender. Ninguém é igual, nenhum corpo é igual, por isso é necessário e único mergulhar com honestidade em si.

Artista é um bicho inquieto, um bicho que está sempre à procura de algo, que nunca se satisfaz, que tenta compreender o outro para entender a si próprio e vice-versa. Assumir seus pensamentos passageiros e se liberar de empreender um sentido unilateral às coisas e fatos ou até mesmo, em alguns casos, não buscar um sentido.

Dar visibilidade ao nosso invisível – caminho de busca da poética do nosso ESTAR. É o espaço primordial que devemos regressar para que daí, no escuro de nossas cavernas, a gente possa ouvir nosso próprio corpo-som. Dançar nossa própria música, perceber nossos odores, sentir nosso volume e, daí sim, permitir que a criação aconteça.

O artista, quando se coloca em cena, entra em contato com a sua comunidade, com seus pares. A arte é esta troca, este diálogo: é compartilhar a sensibilidade e se ligar aos outros seres humanos.

Porque o(a) ator/atriz se aliena de si para fazer teatro?

É sempre a gente – não podemos nos alienar da gente. Porém, é o eu imaginário que esta na obra, é o EU da imaginação, não o EU cotidiano.

Será que ser artista não é justamente se expor? Será esta é uma das doações do artista?

Ser-artista-estar-em-processo-de-percepção-mergulho-na-caverna-saga-do-arqueiro-herói-trajeto-sacrifício-doação-comunidade-estar-em-comunhão-essência-que-emana-que-aflora-cheiros-tonar-vísivel-o-meu-invísel-esculpir-o-tempo-espaço-de-dentro-pra-fora-deseteriotipar-despersonalizar-adentrar-perfumar-evaporar-me-para-estar-ser-ator-atriz.

Qual o procedimento para entender o espírito humano? Qual aspecto irei ressaltar? Qual caráter irei imprimir para essa personagem? Essas perguntas precisam ser respondidas com o entendimento do espírito. Abrir espaço para o seu espírito: ele que faz, não é você no impulso ou no ímpeto, é você na sua sensibilidade.

O melhor de mim está guardado num lugar tão profundo que nem arrancando as costelas, retirando os pulmões, adentrando com minúcias – nem assim. Uma das inquietudes do meu ser artista, vai me movendo no desejo de me expor. E falar em consonância com meu eu.

NAC 2014