OFÍCIO
Nem quando é real, nem quando é ficção podemos deixar de fazer com plenitude, essa é a nossa responsabilidade no fazer teatral.
O artista pode ser uma antena que transmite uma possibilidade de sentido para o mundo. Ele é capaz de captar e transmitir por meio de sua expressão uma percepção do mundo em uma frequência poética, que não é a mesma do cotidiano.
Ao criar circunstâncias inaugurais, pode-se criar espaço para vivenciar a experiência e se pesquisar – sem a pretensão ou o desejo de cristalizar uma forma estanque.
Em cena, o que importa não é somente o discurso mas a possibilidade de se encontrar genuinamente com o outro.
Somos personagens de nós mesmos. Então, como tiramos as máscaras? Livrando-nos dos condicionamentos, julgamentos e encontrando a real necessidade de nos comunicarmos.
Criar condições para ser o que não é você e nem o personagem, mas uma energia que surge a partir desse encontro, oscilações, vibrações, ar e o momento presente.
Deixamos fissuras visíveis em nossa dramaturgia, basta que nossos interlocutores tenham sensibilidade para perceber o quanto humanos podemos ser.
Não seria a função da arte conectar a técnica e o espiritual, permitindo ao ser humano acessar a sua verdadeira natureza?
Desaprender o modo como fazemos teatro para apreender o sentido de fazê-lo. Desaprender para não temer o desconhecido.
NAC 2019