O OUTRO
Na tentativa de apreender o “Outro” o consideramos o “Mesmo””. A partir da total abertura ao “Outro” podemos acessar o infinito, do contrário, continuaremos encerrados na finitude de nós mesmos.
Durante toda a vida nos preocupamos exaustivamente com o “eu”, sobre o qual o mundo parece girar exclusivamente. Como buscar entender o mundo através do ponto de vista do outro? Como realmente vivenciar a Alteridade?
Muito mais importante que constatar alguma coisa, que ter uma opinião, é adentrar no seu significado. É se permitir compreender as razões, os sentimentos e as dores do outro, esquecendo o velho hábito de tudo relativizar e passando a perceber por outro olhar: o olhar de quem realmente quer enxergar.
Não existe teatro na solidão, o teatro precisa do outro. Mas para isso, precisamos reconhecer e permitir que o outro também exista.
Fala-se muito e ouve-se pouco, não deixando que o outro se mostre. Muitas vezes estamos dotados de pré-julgamentos e “adivinhamos” o outro.
Não se deve limitar o olhar apenas a uma faceta do outro, mas sim estar aberto à manifestação de seu infinito. Não se deve eliminar possibilidades com o julgamento, mas sim deixar espaço vazio para dar vazão ao desconhecido.
Muitas vezes julga-se o outro por um primeiro contato visual ou verbal, eliminando infinitas possibilidades de interação – fica-se apenas com uma possibilidade, sem nem sequer dar espaço pra conhecer as inúmeras outras.
NAC 2016