AlmaNAC: o blog do Núcleo de Artes Cênicas

abril 10, 2024

O OUTRO

Na tentativa de apreender o “Outro” o consideramos o “Mesmo””. A partir da total abertura ao “Outro” podemos acessar o infinito, do contrário, continuaremos encerrados na finitude de nós mesmos.

Durante toda a vida nos preocupamos exaustivamente com o “eu”, sobre o qual o mundo parece girar exclusivamente. Como buscar entender o mundo através do ponto de vista do outro? Como realmente vivenciar a Alteridade?

Muito mais importante que constatar alguma coisa, que ter uma opinião, é adentrar no seu significado. É se permitir compreender as razões, os sentimentos e as dores do outro, esquecendo o velho hábito de tudo relativizar e passando a perceber por outro olhar: o olhar de quem realmente quer enxergar.

Não existe teatro na solidão, o teatro precisa do outro. Mas para isso, precisamos reconhecer e permitir que o outro também exista.

Fala­-se muito e ouve­-se pouco, não deixando que o outro se mostre. Muitas vezes estamos dotados de pré-­julgamentos e “adivinhamos” o outro.

Não se deve limitar o olhar apenas a uma faceta do outro, mas sim estar aberto à manifestação de seu infinito. Não se deve eliminar possibilidades com o julgamento, mas sim deixar espaço vazio para dar vazão ao desconhecido.

Muitas vezes julga­-se o outro por um primeiro contato visual ou verbal, eliminando infinitas possibilidades de interação – fica­-se apenas com uma possibilidade, sem nem sequer dar espaço pra conhecer as inúmeras outras.

NAC 2016

EXPRESSÃO

A expressão carece de se transformar também em algo comunicável, para que chegue no outro e para que possa, então, retornar a mim já transformada, e reverberar no nosso entorno, como num caleidoscópio.

Não se trata de representação, e sim de uma porosidade ao nosso imaginário. A expressividade em um estado ao mesmo tempo íntimo e coletivo.

NAC 2016