AlmaNAC: o blog do Núcleo de Artes Cênicas

novembro 16, 2023

CRIAR CONDIÇÕES

Para se apreender um texto e ser atravessado pelo seu conteúdo, temos que ter instinto de ­arqueólogos.

A exposição é um chamado, um “eu convoco”, e pressupõe que mostremos nossas vísceras. É preciso condução, pegar pela mão para que o outro perceba a nossa visão de mundo.

Inicialmente, precisamos buscar aquilo que nos é natural – e a percepção do que nos é natural advém de um estado desprovido de expectativas.

Às vezes é impossível não pensar, não controlar. Mas nesses momentos podemos parar um pouco, retomar a consciência do corpo, a consciência do espaço, escutar as sonoridades e voltar para si, perceber a própria respiração. Essa prática facilita o não pensar e, principalmente, o não acertar/errar, o que é essencial para não criarmos bloqueios durante a experiência.

É preciso desconstruir, depois reagir, para só então, criar e deixar­ se levar pela imaginação.

Devemos nos apresentar num andar limpo e íntegro, sem ser soberbo; potente e com tônus, sem ser tenso; preenchidos de respiração, mas com espaço livre o bastante para que ares olímpicos possam nos habitar, como se desfilássemos para Deuses.

O estado alterado nos traz uma investigação dos sentidos, nos dando condições de sermos atravessados por um outro tempo e espaço, em uma elaboração íntima que se plasma no impessoal.