AlmaNAC: o blog do Núcleo de Artes Cênicas

abril 19, 2023

Criação

Trago dimensões de um espírito inquieto em mim. E é uma inquietude renovadora, que incita a busca. Mas não se trata de um procedimento determinado de fora para dentro, é íntimo.

Como se transformar em uma tela em branco, mas aberta às percepções, aberta à criação, aberta à interiorização, aberta à sensibilidade. Será que damos espaço à criação?

Queria abraçar os momentos de dor e de felicidades que nos atravessam e (con)viver pra sempre com eles num movimento contínuo de TRANS-BORDAR-CRIAR. A criação como um transbordamento de nós mesmos.

O espaço da solidão é aquele da pesquisa de si, de onde constatamos, por exemplo, procedimentos para atingir um Estado Poético e no qual o artista se conecta consigo em busca de instaurar uma obra. É fundamental que esses momentos sejam divertidos, agradáveis e instigantes para que uma pesquisa do artista ganhe sedimentos. Por isso, há que se enfrentar esse espaço com a felicidade dos encontros bons: o encontro divertido consigo.

Que ganhemos condições de pensarmos sobre nós enquanto artistas em busca de uma criação que não se conforme com a mera reprodução de modelos e estereótipos, mas que esteja orientada pela nossa própria relação social com o mundo.

Estar 100% enquanto ator e permitir que a parcialidade disso seja a “personagem”.

Como eu permito mostrar e expor o que é invisível? O que é invisível do meu atravessamento enquanto processo, e o que é invisível do trato enquanto estar no devaneio do jogo, da criação?

Os olhos que mostram o que vai lá dentro. Os olhos que mostram o que movimenta e o que vai de invisível na alma daquela ação.

É preciso liberar a criança pro jogo espiritual, sair do plano prosaico, para constituir algo de outro nível e assim proporcionar uma comunicação que nos una. Esse outro espaço não tem uma trilha determinada, a sensibilidade tem que estar em movimento pra ir em busca de novas paisagens. Será que é aí que acontece o movimento transcendental?

Criar, inventar, é a experiência em si. Tenhamos a generosidade de entender que o resultado de cada um será diferente, sem uma avaliação de bom ou ruim, mas entendendo que é uma conquista individual. Assim como a conquista, a sensibilidade é única e individual – é nossa natureza agindo.

NAC 2014